Embora seja uma indústria conservadora e tenha sua própria velocidade, a mineração não vai fugir das novas tecnologias como a robótica e a internet das Coisas, para citar apenas duas. Na verdade, algumas delas já fazem parte do dia a dia de várias mineradoras. O uso de tags eletrônicas para rastrear a jornada do minério da lavra até o processamento é um exemplo. Outro avanço é a aplicação de softwares sofisticados para otimizar as atividades de perfuração e desmonte de rocha. Estamos falando de recursos de Analytics, adotados para interpretar o grande volume de dados gerados diariamente e até então não trabalhado no conjunto.


No entanto, aplicar tecnologias inovadoras sem resultados práticos não faz parte da agenda das mineradoras. O sucesso depende de números. Pense na colocação de câmeras em pontos estratégicos de correias transportadoras, permitindo a captação de imagens do minério antes e depois de um processo de britagem. Tais imagens são analisadas em tempo real por um software especializado que avalia se a granulometria estaria dentro dos parâmetros estabelecidos. Se não estiverem, a gerência pode intervir e otimizar o processo. Pronto: o que parecia ficção científica torna-se real, como se pode observar na aplicação da geometalurgia automatizada.


Capacitação faz a ponte para uso dos novos recursos digitais


A pergunta que fica, no entanto, é uma só: adianta ter recursos inovadores se minha equipe não passou por uma capacitação para usá-los e, mais ainda, para interpretá-los corretamente? Certamente não. A solução é investir também no treinamento constante dos profissionais de campo. A própria indústria usa isso a seu favor. É o caso dos fabricantes de escavadeiras e outros equipamentos móveis usados em mineração. Grande parte deles tem seus comandos acionados via joysticks, uma ferramenta comum para a nova geração de operadores, muitos deles usuários de vídeo games.


O mesmo acontece na britagem. Não há joysticks, mas temos as telas touch screen, onde os botões de comando são substituídos por ícones. Em situações como essas, o operador passa a gerir seu processo de forma mais inteligente. A tela do computador informa os indicativos operacionais e aponta, inclusive com alarmes gráficos, onde estão os parâmetros fora da curva. É preciso interpretar os dados e tomar as iniciativas para cada caso. Isso quando a própria automação já não tomou a iniciativa.


Não existe super operador, mas um novo profissional de campo


Então, estamos diante de um cenário onde o operador deixa de executar muitas tarefas para um ambiente controlado, onde ele é um mediador de informações. Ao ser aliviado do controle constante de vários parâmetros, ele também pode investir seu tempo na troca de experiência com a equipe de manutenção, sempre focando na melhoria da britagem. Ou ainda acionar os fornecedores externos para tirar dúvidas a respeito do sistema. Controles que estariam fora de sua observação diária, mas que afetam o processo, podem ser integrados à gestão.


Com tudo isso, teremos um super operador e vamos aposentar os técnicos atuais? Pelo contrário, como mostra o perfil dos novos operadores, que você pode acessar aqui. O melhor investimento é a capacitação dos operadores para as novas funções. Eles conhecem a planta melhor do que ninguém e vão, inclusive, agregar conhecimento. A diferença é que passam a ser mais valorizados. E devem ser os mentores da nova geração, que já nasceu digital. Quando pensamos na mineração do futuro, mas com os pés no mundo real, percebemos que a transição para os novos tempos não precisa ser traumática, mas precisa ser planejada.

Mineração 4.0

Compartilhe nas redes sociais