O mundo consome cerca de 40 bilhões de toneladas de areia e brita por ano, segundo as Nações Unidas (ONU). Boa parte do volume vai para a indústria de construção e para entregar essa quantidade é preciso, literalmente, quebrar muita pedra. Independente do local, há um equipamento fundamental no processo: o britador. Embora a britagem tenha uma história documentada há pelo menos dois milênios, a mecanização de fato começou – e vem evoluindo - nos últimos 150 anos.

Segundo Norwil Veloso, especialista da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema), a maior parte da brita usada como base ou pavimento era quebrada com marretas até 1870. Quem mudou o cenário foi a invenção dos motores – a vapor e elétrico. O norte-americano Eli W. Blake, inspecionando a vida dura de quem construía estradas, juntou a necessidade de quebrar as rochas de forma mais eficiente com a existência dos motores a vapor. E foi o padrinho do casamento entre mecanização da britagem com a indústria da construção.

Britadores cônicos nasceram da evolução dos modelos giratórios

Apesar da rapidez dos inventores, a mineração tem uma velocidade própria, diferente de indústrias como a eletroeletrônica. A evolução do britador não acontece no mesmo ritmo do telefone celular ou dos automóveis. Por isso, a base tecnológica dos modelos de mandíbula, criados por Blake no final dos anos de 1800, ainda vale para os equipamentos atuais. Os aperfeiçoamentos acontecem, é claro, e incluem, por exemplo, a fabricação de máquinas com menos quantidade de aço, mas com maior capacidade de produção.

As mudanças também podem acontecer a partir de famílias similares, caso dos britadores giratórios e dos cônicos, outro sucesso da história da construção há mais de 100 anos. Quando apareceram os primeiros giratórios, eles foram logo seguidos pelos cônicos na linha de tempo. Ambos operam com uma caixa de britagem que acopla um cone com movimento excêntrico e um manto fixo. As diferenças ficam por conta da geometria da câmara e inclinação do eixo cônico. O principal diferenciador, no entanto, é o volume processado, com os giratórios tendo maior capacidade.

Instalações de britagem começam no século XIX e avançam para as plantas de hoje

Depois de quebrarem muita pedra em aplicações pontuais, os fornecedores de matéria prima perceberam que podiam se beneficiar de uma linha industrial. Com isso, as primeiras plantas de britagem nasceram com um britador e seus complementos, incluindo elevador, peneira e silos de armazenamento. Isso nos Estados Unidos já no século XX, segundo Norwill. Na Europa, o processo envolvia motor e britador e, sem dúvida, muitos serviços manuais. Os cônicos ganharam espaço, principalmente com a criação dos modelos hidráulicos, com ajustes na abertura da boca de alimentação e com a possibilidade de expelir materiais não-britáveis.

As plantas de processamento mineral, aliás, podem adotar outros tipos de britadores cujo princípio de funcionamento foi pensado ainda nos anos de 1800. São os modelos de rolos, inventado na Inglaterra em 1806, e os de impacto, também conhecidos como de martelos. O primeiro quebra as rochas pela compressão e cisalhamento entre os rolos. Já a força do britador de martelos é de impacto. E a “personalidade deles” pauta a aplicação: o equipamento de rolos é usado, geralmente para materiais frágeis, enquanto os de impacto não devem ser especificados para o processamento de rochas abrasivas, em função do alto desgaste.

Menos custos e maior capacidade dão o tom atual da britagem

Nas últimas décadas, a evolução dos britadores acontece com a redução de custos, aumento de produção e maior eficiência energética. Na prática, estamos falando de britadores giratórios com maior facilidade de instalação e maior capacidade, inclusive concorrendo com os de mandíbulas. Esses últimos, por sua vez, também cresceram em capacidade de produção e tiveram sistemas de lubrificação, entre outros, aperfeiçoados.

Os cônicos tornaram-se cada vez mais automáticos e não se restringem ao processamento de rochas duras. As simulações em computadores melhoram a escolha dos modelos, usando dados reais do minério ou rocha que será processado, e a automatização corrige e ajusta, em tempo real, a operação de britagem no dia a dia. Pra resumir: o hardware evoluiu sim, mas é o software vem ditando as novas mudanças na britagem.

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