Quando a parada do britador tende a se repetir, algo de errado está acontecendo no processo e é hora de fazer três perguntas básicas: o quê, como e por que. Ao tomar essa iniciativa, estaremos usando a técnica chamada de análise de causa raiz (RCA, da sigla em inglês para Root Cause Analysis). A RCA funciona para evitar a repetição do problema e envolve a coleta de dados, a análise dos fatores, a identificação da causa do problema e, enfim, as recomendações para sua correção. Ou seja, funciona como uma espécie de investigação policial.
Como não podemos atacar várias frentes ao mesmo tempo, a recomendação é focar em algum ponto do processo até que se esgotem as chances de ele ser a causa das falhas. Um bom começo é avaliar se a operação do equipamento vem sendo feita de acordo com o recomendado e se a equipe está devidamente treinada para operar o britador. Infelizmente, em alguns casos, o foco de treinamento está concentrado nos profissionais de manutenção. Operadores com conhecimento também fazem a diferença.

A lógica do levantamento de dados para identificação do motivo da parada do britador

Como em qualquer investigação existe uma lógica na coleta de dados. E nada melhor do que fazê-la com o equipamento operacional. Se a suspeita é que a origem do problema é um superaquecimento da máquina, a leitura mais sistemática da temperatura deve ser o começo. Correlacioná-la com a pressão aumenta a qualidade da análise. É interessante verificar a lubrificação do equipamento, o tipo e a qualidade do óleo lubrificante, a periodicidade de sua troca, a análise de partículas entre outros procedimentos.

Coletar os dados de operação permite que se faça um diagnóstico imediato. Mas é preciso interpretá-los corretamente. Se o conhecimento da equipe de operação não for suficiente, o fabricante pode ser acionado e, com as informações básicas da máquina e do minério britado, tem a capacidade de fazer uma avaliação inicial. Se o problema é persistente, a troca de informações deve ser acelerada. Inclusive entre as equipes de operação e manutenção.

Considerando que temos uma operação correta, dentro dos padrões recomendados, a análise do cronograma de intervenções programadas é o próximo foco. Nesse caso, a pergunta chave é: a manutenção preventiva está sendo feita de acordo com o prazo estabelecido? E mais: se temos dados consistentes sobre a operação, não seria o caso de antecipar o processo? É possível que o britador esteja operando corretamente, mas com uma curva granulométrica que talvez exija mais do equipamento.

Operar com níveis inadequados influencia não somente nas peças de desgaste como nas de não desgaste. Nesse último caso, a recorrência da troca de reparos de válvulas, por exemplo, é uma prova significativa na investigação. Se a troca continua sendo feita e a válvula ainda não funciona a contento, é hora de aprofundar a busca. A contaminação do ar em operações pneumáticas, com a possível entrada de poeira, pode ser a raiz do problema. Sim, os detalhes contam.

Peças de desgaste: um bom indicativo

A observação das peças de desgaste é outro indicativo. É importante verificar a forma como o material vem sendo desgastado e se ele é o mais adequado para aquela operação. Outra pergunta importante é se as recomendações de materiais do fabricante estão sendo seguidas. Existe um desgaste natural das peças se elas forem as tecnicamente recomendadas. Esse é o caso da sua britagem?

E para fechar: dados são a matéria-prima da informação, mas sua coleta em si não resolve o problema. É preciso ter conhecimento para correlacioná-los e, passo a passo, eliminar “suspeitos” e identificar na causa raiz das falhas. Feito isso, a etapa seguinte é corrigir a problema, orientar as equipes e estabelecer procedimentos adequados. Caso encerrado.

Para mais dicas e informações de como extrair o máximo da sua mina e do seu britador, continue acompanhando o blog da Metso. Conteúdos exclusivos feitos para você, engenheiro de minas.

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